Falando Sozinho


Cutuquei

 

Conversava outro dia com um amigo a respeito do uso do nosso tempo. Confessei, e isso é público, que o meu é mal administrado. Minha organização pessoal se confunde com a pessoal, gerando um tsunami diário. Há mais ou menos 30 dias, comecei a usar a velha e boa agenda de papel. Nada de anotar na tela do computador. Conservadorismo, nesse caso, é saudável.

O espaço onde publico minhas impressões do cotidiano ficou desatualizado durante um período igual a uma gestação humana. Sempre arranjava disponibilidade para outras necessidades, provavelmente, menos importantes. Mas para dedicar alguns 40 minutos a escrita, necas.

Tenho dois perfis no facebook. Não me orgulho disso. Uso-os para conversar com alguns contatos que abandonaram o messenger e o hábito de mandar mensagens pelo correio eletrônico e migraram lépidos e faceiros para a nova rede social. E aí é possível notar que não sou o único a administrar incorretamente o meu tempo.  

De segunda a sexta é possível testemunhar situações que me fazem duvidar que pessoas arranjem tempo para justificar idéias ou teorias carentes de um mínimo de racionalidade. Os argumentos são repetidos a exaustão. Mesmo sem sustentação insistem, repetem, replicam e não desistem. Deixa de ser um debate e vira uma birra infantil. Falta vontade, ou hábito, de refletir. Sobra entusiasmo para parecer ser “inteligente” e estar “por dentro” do assunto da moda, independente de qual seja. Mistura-se opinião com agressão.

Tem tanta coisa bacana que poderia ser socializada ou até mesmo discutida. Desperdiça-se tempo, energia e não se constrói nada. Muitos ficam na espreita para ver se alguém vai responder a provocação. Depois da primeira é um Deus nos acuda. Xingamentos e ameaças fazem parte do arsenal. Sim, parece uma guerra fratricida.

Ouvi certa vez que o conflito só acontece quando envolve os “ignorantes” – leia-se e entenda-se, pouco letrado. Atualmente o letramento é uma possibilidade quase universal, e hoje os que merecem o rótulo de brigões – pensei em escrever vândalos - são aqueles que têm a oportunidade que até então era privilégio de uma pequena casta. Fica provado que interesses, quando ameaçados, fazem com que o predador mude a estratégia e ataque sem rodeios.  Mesmo sabedor que pode errar o bote e virar caça.  

   

 



Escrito por João Anschau às 15h17
[   ] [ ]




O céu é o limite

 

 

O jornalismo respira por aparelhos faz tempo. Não se pratica mais o ofício de apurar. O negócio é atirar, sem antes perguntar. Péssimo hábito, enaltecido por “formadores” de opinião, pagos a preço de ouro, que acham tudo válido. A lei de Talião revigorada.

Há poucos dias o ovo de Colombo era o Ministério do Esporte. Antes de qualquer achismo não espalhem por aí que estou a defender o ex-ministro Orlando Silva. A pauta estava enviesada. Deixaram vários atores fora da trama. Perguntas sem respostas pipocavam como as pequenas formiguinhas em nossas casas. Havia interesses? Lógico. Ou alguém notou que no mesmo dia em que a estocada mais forte foi dada, esteve no senado o jornalista Andrew Jennings, quando repetiu as acusações contra o big boss Ricardo Teixeira? Não. Acompanhei o Jornal Nacional do início ao fim. Nenhuma palavra sobre a audiência com o profissional da rede britânica BBC. Tampouco nos parceiros da força tarefa, derruba Dilma, encontrei algo – Veja, O Globo e afins....

E o PAN? Ficamos em terceiro. Atrás de Cuba e EUA. A Ilha de Fidel com menos atletas e infinitamente menos recursos. Será que tem algo na água que eles bebem ou...? Não, claro que não. Bobagem da minha cabeça. Tão logo chegue ao Brasil o eterno presidente do COB, Carlos Nuzman, será “questionado”. Para registro novamente: ficamos atrás da combalida Cuba. Que beleza.

Em curso, já de longa data, testemunhamos um antijornalismo sem limite. Que se acha no direito de invadir propriedade alheia, mentir, atacar e condenar. A linha tênue que separa liberdade com responsabilidade já foi ultrapassada faz tempo. Qualquer tentativa de discutir o método adotado e suas conseqüências, logo é rechaçada pelas famílias que controlam a chamada grande imprensa. A frase “O estado sou eu”, de Luís XIV, serve bem para definir o que acontece no Brasil. Imprensa, acima de tudo e de todos, acredita e defende que tudo tenha que girar em torno de si.

Perde-se o prazer da leitura, do ouvir e de ver. Alguns ainda pensam que a maioria das pessoas vive no mundo das trevas. Apesar da banalização de muitas redes sociais, a informação – de todos os naipes, inclusive a que deturpa – circula em velocidade capaz de informar o menos desavisado. Vai muito que aquela senhora que dava boa noite para os apresentadores do JN pensa duas vezes ao desejar algo de bom para pessoas que a tratam com certo menosprezo. A democratização dos meios ainda não acontece, mas ela terá que ser realizada, mais cedo ou mais tarde, por mais gritos, choros ou esperneios que possam existir.

 

 

 



Escrito por João Anschau às 16h14
[   ] [ ]




Papo sem cabeça - 4

 

 

- Mano, preciso arrumar um trampo de responsa.

- O que tu sabe fazê?

- Meus conhecimentos são muitos. Uma gerencia ia bem. Tu sabe de algum trampo que se enquadre nas minhas qualificações?

- Sei.

-Me leva lá Mano. Começo quando?

- Inicia assim que chegar lá.

- Gerência, Mano?

- Não Mano. Você vai ralar um pouco antes.

- E qual é a boa?

- Carregador de caixas na fruteira do seu Adamastor.



Escrito por João Anschau às 17h48
[   ] [ ]




Não gostei, vai encarar?

 

 

Críticas. Aceitá-las, ignorá-las ou debatê-las? Sou defensor das mesmas. Por incrível que possa parecer eu lido melhor com aquelas consideradas pouco elogiosas. Não sou masoquista, apenas fico com um pé atrás quando recebo um, “bah, que baita texto”.

Semana passada um dos meus textos foi postado num fórum dedicado ao futebol. Um dos comentários a respeito dele foi bastante ácido. Um amigo sugeriu que eu o respondesse. O criticante estava em seu direito de discordar. O meu objetivo não era criar um cabo de guerra, apenas tornar público o que penso sobre o clube pelo qual eu torço.

Em muitos momentos, o acirramento dos ânimos tem contribuído para que não se construa uma relação de mão dupla dentro dos espaços constituídos de opinião. O que se nota, inúmeras vezes, é certo patrulhamento. Ou seja, ‘vamo pra porrada’.

            O contraditório parece incomodar. Quando isso acontece, os argumentos são esquecidos e parte-se para agressão verbal pura e simples. Tenta-se desqualificar o indivíduo pelo medo e, desta forma, silenciar o pensar diferente. Na rede isso não funciona muito bem. Perda de tempo dos sem cérebro.  

            Um exercício. Assim encaro o blog e o escrever nele. Não é meu ganha pão. É apenas um espaço criado para opinar. Se agradar, ótimo. Não estou preocupado, tampouco, com formatos. Quem me lê – atualmente tenho 22 leitores fiéis – já conhece a silueta do texto. Não tenho por hábito me alongar muito nos escritos. Argumentar, sim, mas sem torná-lo complexo e chato. Não é e nunca foi essa a idéia.

            O que temos hoje são pessoas interessadas em ler sobre tudo e todos. A quantidade de diferentes permite escolhas mais próximas ao perfil de quem lê. Existem ótimos escritores escondidos – não me refiro ao meu blog, que fique registrado. Ao mesmo tempo, outros tantos que considero ruins possuem uma audiência enorme, que se justifica pelo tal do currículo. Isso faz a diferença. São formadores de opinião já existentes, oriundos de outras mídias, que se ligaram na blogosfera.  Levam consigo milhares e continuam a defender interesses. Tudo bem, o espaço virtual é plural.

            Ficarei feliz se o julgamento sobre as minhas publicações no “Falando Sozinho” continuar. Preferencialmente, o façam para me cutucar, civilizadamente, pois isso me ajudará a criar algo melhor ou  menos ruim. Grato.

             



Escrito por João Anschau às 18h33
[   ] [ ]




Papo sem cabeça - 3

 

 

- Mano, briguei com a mina.

 

- Queque tá pegando?

 

- A mina chegou e disse que... entende?

 

- Eh aí mano?

 

- Eu bati pra ela que nada a ver.

 

- Ela chorou e... entendeu?

 

- Eh aí?

 

- Dei a letra pra mina. Assim não dá e que na próxima vez eu...entendeu?

 



Escrito por João Anschau às 14h25
[   ] [ ]




Não cortem a grama

 

 

 

O sentido figurado quando não entendido cria uma família de problemas. Quando citações são usadas para evidenciar mais do que realmente é necessário, tudo desanda.

O zagueiro Rodolfo, recém contratado pelo Grêmio, disse que “vai comer até grama”, frase de efeito que pretende, obviamente, conquistar a torcida, numa clara demonstração de que está disposto a tudo pelo novo clube.

Bastava somente dizer que faria o melhor. Já estaria de bom tamanho. Mas alguns teimam em acrescentar, acrescentar e fazem afirmações bisonhas. Rodolfo não é o único nesse universo. Encontramos outros espalhados por aí, representando setores variados. Não pensem vocês que somente os boleiros nos divertem.       

Rodolfo ganhará o suficiente para não precisar comer grama, tampouco sua família precisará passar por esta indignidade. Fico a imaginar a reação de pessoas que, se necessário, tivessem que alimentar-se com capim. A frase, aplicada num País como o nosso, poderia mexer com o brio de quem realmente está próximo de uma realidade gramínea.  Mas nosso Brasil é pacifista. As bordoadas nos são dadas todo santo dia. E nada de reagir.

Sei que zagueiros costumam compensar a falta de qualidade técnica com muita vontade. Uma coisa pela outra. Conquistam torcedores pela forma como atuam. Já vi bons defensores vaiados. No sentido contrário, pernas de pau, ovacionados. A lógica de quem torce é ver no atleta que veste a camisa de seu time do coração não um mero prestador de serviço. Ele quer alguém que coma grama se for preciso.

 



Escrito por João Anschau às 17h09
[   ] [ ]




Precisa-se de Presidente

 

 

Quando eu imaginava o fim do problema, qual não é minha surpresa: ele retornou. Voltou mais forte do que nunca. Os interesses que os move são imagináveis, mas o que me surpreende é que providências deixam de ser tomadas.

Durante a gestão Duda Kroeff as ditas torcidas organizadas, que sugavam dinheiro do clube, foram colocadas em seu devido lugar. Chiadeira foi notada, inclusive, com o aval de certos cronistas esportivos. Logo, a maioria que realmente vai para torcer e paga por isso avalizou a decisão do presidente gremista. Foi um curto período onde o tricolor da Azenha esteve praticamente afastado das manchetes policiais. Saudosa época.

Desde a posse do dublê de deputado, mestre de obras e “presidente”, Paulo Odone, a conduta de afastar quem prejudica a imagem do Grêmio foi abolida. Brigas se repetem a cada rodada. Ontem à noite, em Montevidéu, outra amostra. Chega a ser constrangedor.

O silêncio de parte da mídia gaúcha especializada em futebol, made in RS, é deveras intrigante. O tema é tratado com o freio de mão puxado. Tudo está mais próximo da conivência. Uma concordância invisível. Que não toca na ferida que se abre cada vez mais. Chegou a ser extirpada, mas, assim como o câncer, volta quando menos se espera.

Qual o motivo para proteger marginais e vândalos? A cada partida é impossível prever o placar, mas não é necessário consultar mãe Dinah para saber que haverá ato de violência causado por integrantes de torcida organizada.

Quem sabe o jornalismo investigativo do Grupo RBS, Record ou Band entrem literalmente em campo e tornem publico o nome daqueles que financiam esses anti-torcedores. Quero ver manchetes que enalteçam o bom futebol e, quem sabe, registre uma ou outra conquista do Grêmio de Porto Alegre. Esse lance de imortalidade é bacana enquanto marqueting. Tudo tem limite. Se quiserem extravasar suas energias e ainda ganhar um bom troco, sei de um setor que está carente de “profissionais” com um perfil mais força e menos cérebro. Quarenta horas semanais, café, almoço e jantar inclusos na oferta. Me contaram que o cabo da enxada faz milagres.



Escrito por João Anschau às 23h08
[   ] [ ]




Faca no pescoço

 

 

 

Cortar a fala de entrevistados é esporte favorito de muito profissional de rádio e televisão. De norte a sul barbaridades são cometidas como se nada tivesse acontecido. Situações que expõem pessoas ao ridículo. Mesmo assim, estes que são retalhados sempre estão a disposição para novas “conversas”. Dignidade parece que deixou de existir há muito.

A lista que compõe essa verdadeira seleção de açougueiros é grande. Composta em sua maioria por comunicadores que já conquistaram fama e audiência. Que nunca são questionados a respeito de sua conduta. Ou seja, tem passe livre para fazer e acontecer. Incluem-se, também, jovens que já se consideram a última bolacha do pacote.

Hoje eu vi, a contragosto, mais uma destas coisas que abomino em se tratando de jornalismo. O tema era a livre venda de drogas em pleno centro de Porto Alegre. Tema que merece mais do que 5 míseros minutos. Ainda mais quando temos de um lado um perguntador que também gosta de opinar. Uma verdadeira salada.

Resumindo, o que acontece é o seguinte: a televisão empurra goela abaixo sua grade que precisa ser respeitada, mesmo que seja necessário desrespeitar o público. “São os anunciantes que nos pagam, imbecis.” E de cima vem a ordem: cortem. E lá embaixo o cara atora mesmo. O ponto eletrônico é quem manda. A colinha eletrônica serve também para dizer basta, em voz baixa, que será reproduzida fielmente dali há alguns segundos. Pronto: nosso “trabalho” está feito, se autocumprimenta o “çábio”.   

O problema não está somente no formato. O conteúdo é pobre, oportunista e, por vezes, demagogo. Não é raro encontrarmos esse tripé reunido num só emaranhado do que seriam informações. Explicar ou contextualizar não é tão mais importante quanto apontar o dedo indicador para alguém. Vide cobertura da tragédia que atingiu a região serrana do estado do Rio de Janeiro. Um Deus nos acuda. Anteciparam o fim do mundo para 2011.

E o que está ruim sempre pode piorar. Alguns têm a pretensão de serem guardiões da exclusividade. “Preciso ganhar um prêmio qualquer coisa de Jornalismo”. Para tanto, utilizam meios não encontrados nos manuais de redação. E o que é pior: são referendados pelos capas do andar de cima. Ou seja, a putaria ta liberada. Pisar no pescoço é carinho. Nem vou tocar na questão que envolve a ética profissional. Aí, cortes coletivos de pulso podem ser estimulados.

Nada de terra arrasada. Felizmente, já é possível selecionar as fontes de informação. O que falta ainda é uma rede mais ampla, das experiências já existentes, que procure fazer jornalismo próximo do mundo real. Que se indigne a conferir se aquilo que está escrito no release da entidade X realmente se confirma. Questionar, perguntar, dizer que não entendeu bulhufas para quem tem a matéria prima que tanto necessitamos, reconhecendo assim nossas limitações, também é praticar o bom jornalismo. Quem deve emitir opiniões são especialistas. O dito jornalista confere, interpreta e transforma tudo em informação creditável. Deixar de lado a comodidade e praticar o exercício de conhecer novas fontes, para novas histórias e assuntos que interessem ao grosso da população, seria um começo. Acho que todos notaram que estou otimista.



Escrito por João Anschau às 09h58
[   ] [ ]




Várzea com grife

 

 

 

Sempre fui um entusiasta do futebol amador. O envolvimento das pessoas e das comunidades fazia toda a diferença. Durante dois anos disputei o chamado varzeano. Período bacana que me fez conhecer um pouco mais de minha cidade e as pessoas que nela vivem. Mas com o passar do tempo, tudo mudou. Hoje a competição ganhou ares de “profissionalização”. Acirramento que tem tirado público dos ralos campos espalhados pela cidade e interior.

Naquele tempo eu gostava de ouvir as histórias. Relatos daqueles que testemunharam muito. Situações cômicas. A diversão transformada em objetivo de um ano inteiro. Conquistas que não se resumiam a premiação máxima. Outro tempo, outro período, bem mais saudável, diga-se de passagem.

Certa vez um jogador foi procurado pelo presidente de um time que disputaria a competição. O atleta pediu um par de chuteiras para assinar com a equipe. Negócio fechado. Dois dias depois o disputado corredor de final de semana recebe uma proposta mais vantajosa, mas de outra agremiação. Além das chuteiras, 10 litros de combustível para o deslocamento e copa – bebida – livre após as partidas.

A atual direção do Grêmio me parece amadora ao extremo. Tem cometido, nesse início de ano, erros primários. Tudo começa pelo presidente Paulo Odone. Um senhor que deveria estar afastado do clube e da política. Ele é nocivo em ambos. Ele não agrega, destrói.

Primeiro foi a minissérie Ronaldinho Gaúcho. Semanas e mais semanas de um folhetim muito mal escrito e que serviu apenas para atender o interesse da família Assis. Foi de uma candura comovente as explicações dadas pelo mandatário máximo do clube para justificar o desfecho não previsto. Ficou clara sua incapacidade, estreiteza e preguiça.

Depois, eles romperam sem romper com a Traffic. Gritaram alto e na seqüência pediram penico. Coisa de time pequeno. Normal, afinal, a gestão é anã.

Nem tudo acabou. Tem ainda o imbróglio Vinicius Pacheco. Esse, digno de enredo do saudoso Marcelo Monicelli. O atleta se apresenta, veste a camisa, treina, faz gols e o clube detentor de seu passe não havia sido consultado. Vou repetir: o Grêmio trouxe um jogador sem avisar o dono de seus direitos federativos. Hehhehehehe. O negócio é rir.

Para completar a falta explícita de comando o técnico diz, sem consultar seus superiores, que não pretende viajar junto com o time para os jogos no interior. Tá muito fácil trabalhar no tricolor gaúcho da capital. Uma verdadeira casa da mãe Joana. O cara ganha 460 mil reais por mês e diz que pode ficar estressado se pegar um busão vez ou outra.

A gasolina foi o item da proposta que seduziu o “craque” da várzea. Chuteira, gasta, ele tinha e a bebida não fazia diferença, pois havia se convertido para uma das dezenas de igrejas evangélicas espalhadas por aí. Assim, ele poderia desfilar com a sua TT 125 Yamaha nos finais de semana.

Em tempo atualizado ás 14h30min: quando escrevi o texto não sabia dessa bomba chamada saída de Jonas. No exato momento em que a informação é divulgada o presidente do glorioso clube da Azenha passeia nas obras da Arena. Que beleza. Alguém precisa avisar esse povo dirigente que a Libertadores começa na próxima quarta-feira.



Escrito por João Anschau às 12h00
[   ] [ ]




Em Brasília, 19 horas

 

 

 

Sua capacidade e função iam além de somente ser mais uma voz familiar. Ele aproximava as pessoas. Era o mais “sabido” de todos, pois de tudo conhecia um pouco. Isso o tornava especial e diferenciado. Os cuidados para com Ele eram muitos. Ele não podia se calar quando lembrado. Ocupava posição de destaque em horários onde todos os integrantes da família estavam reunidos e queriam saber o que lá fora acontecia.

O primeiro foi um Motorádio preto. Era com ele que eu escutava os jogos do Grêmio e o programa humorístico da rádio Globo do Rio de Janeiro chamado “A turma da maré mansa”. Comediantes que faziam as noites mais alegres.

Depois o meu irmão comprou um outro falador. Esse já oferecia a opção do FM no edial, portanto, mais moderno. Nos sábados, principalmente, era uma festa. Eu curtia as rádios do oeste catarinense que conseguíamos sintonizar aqui em Três Passos.

Em 2004, na minha formatura, ganhei um pequeno Motorádio de um grande amigo, tão ou mais apaixonado por rádio do que eu. Em 2006 ele quase se foi, afogado. Caiu num balde com água. Consegui resgatá-lo antes que afundasse completamente. Na ânsia de secá-lo, quase foi torrado por um daqueles secadores industriais. Sorte que vi o plástico retorcendo com o calor. Mas Ele foi salvo. Há sete anos o pequeno me acompanha. O hábito de escutar o que falam por aí, ainda faz parte do meu dia.

Uma das fotos mais belas que vi até hoje tem o Rádio no cenário. Uma senhora nordestina, apoiada na janela e ao lado, Ele, o grande conversador. Uma imagem que mostra exatamente o que significa aquele aparelho na vida de muitas pessoas. Ele é.... – esqueci a palavra que definiria bem o que quero dizer. Daqui a pouco eu lembro.

Pesquisa realizada há alguns anos mostrava que nos lugares mais distantes dos grandes centros o radinho é companhia obrigatória e o canal de informação das pessoas que por lá moram. Agora o dado mais impressionante: o programa mais escutado por estes é a Voz do Brasil. Sim, ele mesmo. Aquele que 10 entre cada 10 concessionários de um canal de radiodifusão querem levar para horários mais próximos ao corujão. Quando lembro, trato de escutar a Voz. Considero o espaço mais democrático do Rádio brasileiro.

A cumplicidade – palavra que faltou há pouco – é o que define a relação existente entre ambos. Mesmo com todos os oferecimentos tecnológicos, o Rádio ainda se sustenta. E olha que não é fácil. Ele já tem certa idade, mas consegue manter vivo o seu magnetismo – não se trata de redundância - com o ouvinte.

Conheci um senhor que fazia de um programa de uma cooperativa muito mais do que informar o público alvo. Criou uma forma toda particular de interação com estas pessoas. Não era um radialista ou jornalista de carteirinha, mas, soube como ninguém usar o replicador como poucos. Fez escola, sem nunca ter estado numa por muito tempo. Mesmo assim, foi professor e muito ensinou. Uma lástima que as gravações não foram salvas. Ficaram apenas os depoimentos saudosos daqueles que estavam do outro lado da caixinha.

Mesmo sendo chamado, vez ou outra, de patinho feio, é Ele quem vai continuar a ter muitas histórias a nos contar. – frase de duplo sentindo, mas foi o que eu tinha para o momento para finalizar o texto.

 



Escrito por João Anschau às 16h54
[   ] [ ]




Papo sem cabeça - 2

 

 

 

- Vamo arrebentar a boca do balão.

- Vê se hoje fica ligado na letra da música.

- Tô sabendo. Deixa pa nóis irmão.

- Mano, o negócio vai ser beber.

- O memo de sempre e capricha na dose campeão.

- O memo pra mim duas vezes.

- Tu vem sempre aqui?

- Di veiz em quando.

- O mano já sabe até o que tu bebe. Que moral hein?

- Pa manter tudo isso aqui que as mina tanto gosta não é fácil. Chegando os liquido do mal. Vamo nessa.

- Mano que baguio é esse que nóis vai bebê? Tônica mano. Tu tá me tirando?

- Uma mina me bateu que faz bem pa pele e po cabelo.

 

 



Escrito por João Anschau às 16h06
[   ] [ ]




Perigo: cuidado

 

 

O despreparo ou a necessidade de fazer de tudo notícia torna a informação uma mera mercadoria de fim de feira. Conversava há pouco com um amigo sobre as últimas barrigadas jornalísticas. Nota-se uma urgência desenfreada em preencher espaços por mera formalidade.

Desde 2001 sempre tiro uma parte do início da manhã para a leitura daqueles que considero bons noticiaristas. É um hábito que conservo com o objetivo único de estar informado. Esse exercício me ensina muito. E como estamos num período de constantes modificações, aprender é vital.

            Tento imaginar como certos profissionais se adaptariam a essa nova realidade. Não escondo de ninguém minha admiração pelo trabalho do falecido jornalista Marcos Faerman. Para quem leu alguns de seus textos sabe do que falo. Tinha o compromisso em escrever relatos que colocavam o leitor no lugar do acontecido. Destes, parece não existir tantos outros.

            Talvez isso aconteça pela imposição de se escrever algo mais “objetivo”, fragmentado e recortado, bem a gosto do editor. Uma imposição, segundo “especialistas” do mercado. A mão invisível de alguém que não se mostra, apenas, determina. ‘Se a mensagem não foi compreendida o problema não é nosso’, deve ser frase usual para terminar com qualquer tentativa de rebelião.

Podemos aliar mais um ingrediente nesta salada: a nossa “falta” de tempo. Ele virou nosso “inimigo”. Nunca é demais lembrar que hoje temos uma parafernália tecnológica a disposiçaõ que, na teoria, nos daria mais...tempo. Na correria diária sem gps o negócio é ler pelo menos as manchetes.

            O modelo imposto segue uma tendência global. Tudo se resume a resumos. A notícia não é mais tão importante. Uma lógica que não nos permite tirar conclusões é difundida como ideal. Vem tudo mastigado. Faltam dados, detalhes... Falta um tanto de tudo. Mas isso não importa. O negócio é negócio e precisa ficar no azul.

            Reproduzir a cartilha de grandes conglomerados de comunicação não é o melhor caminho. Infelizmente é isso o que alguns incentivam. Quantidade em jornalismo não é sinônimo de qualidade. Ou será que eu virei um jurássico?

 

                       

           

             

           



Escrito por João Anschau às 18h31
[   ] [ ]




 

Papo sem cabeça

 

 

- Qual a boa hoje?

- Rapaz, tu sabe que eu não sei.

- Quais as opções?

- Rapaz, tu sabe que eu não sei.

- Vamo pro bar ou tu não sabe se tu sabe?

- Tu tá me tirando?

- Rapaz, tu sabe que eu não sei.

- Tá vendo aquela morena?

- Sim.

- Sei que ela gosta de coisas diferentes.

- É?

- Sim.

- Vou trocar algumas letras com ela. Fica aí.

Quinze minutos depois...

- Tá tudo certo. Vamo faze uma menage?

- Homenagem a quem?

 

 



Escrito por João Anschau às 20h04
[   ] [ ]




Será que vai dar?

 

 

 

Nem Jesus conseguiu. Poderia começar dessa forma para me justificar. Escrever é um exercício interessante. Torná-los público é o momento de encarar opiniões variadas, com leituras distintas. Eu diria que esse é, para mim, o melhor momento.

Recebi, até agora, 11h40min, um pouco mais de três dezenas de mensagens que externaram suas impressões sobre o minúsculo enredo que finalizou na última sexta-feira. E o legal disso tudo é que muitos entenderam aquilo que não era para ser compreendido.

O projeto não era para ser algo complexo, tampouco um lixo completo. O texto foi parido com recortes de situações reais. O grosso foi todo alterado. Já aviso desde agora que não serei um escrevinhador genial. Mediano já está bom.

O dia-a-dia nos possibilita isso. Talvez eu não esteja conseguindo traduzir a riqueza de situações que me são oportunizadas em boas historietas. Mas dizem que de tanto errar um dia acertamos. Vou usar isso como estímulo e escrever numa cartolina e deixar na parede em frente a minha mesa.  



Escrito por João Anschau às 11h59
[   ] [ ]




Cotidianos - final

 

 

 

Os finais de semana eram previsíveis. A programação das festas respeitava um calendário previamente definido. Todos sabiam quando e onde seria a próxima. Carolzinha achou tudo bucólico. Uma tremenda chatice.

- Vai ser um grande bailão.

- Isso significa o que exatamente?

- Quer dizer que todos vão pra lá.

- Quem são todos?

Gente, muita gente para aquele pequeno espaço. O suor era compartilhado, pois os esbarrões faziam parte e reclamar não era praxe. Logo, Carolzinha viu algo que a interessou. Nem tudo parecia ser tão ruim assim, concluiu.

A pressa agora não era tanta para chegar à universidade. O mau humor foi sendo substituído por sorrisos sem nenhum toque de sarcasmo. Ela parecia mais disposta a encarar os desafios do novo lar sem ironias, uma outra virtude de Maria Carolina.

- Pai eu estou com problemas.

- O que aconteceu Ricardinho?

- O senhor vai ser avô.

- Parabéns meu filho. Já sabe o sexo da criança?

- Mas pai, como eu vou sustentar esse filho?

- Uma ótima hora para você começar a pensar nisso. Não acha?

Carolzinha estava aflita. Pensou em procurar a mãe. Melhor não. Não agora, agora. E seu eu falasse com o pai? Não. Ele está todo animado com o trabalho. Um infarto quem sabe. E o plano médico da empresa nem é tão bom assim. Quem sabe a tia Gisa pode me ajudar. Não. Ela é carola demais. Vai me condenar.

- Pai. Mãe. Preciso contar algo.

Silêncio total.

- Eu vou ser mamãe. Mãe, a senhora está bem? Calma pai, é só uma criança.

O primeiro bailão de Carolzinha mudou a vida de muitos. A pacata rua ouvia e teria que se acostumar com o despertar sonoro dos novos moradores durante grande parte das 24 horas do dia. Se a ciência avalizasse, poderíamos afirmar que havia um conluio entre os dois. Quando um parava numa casa, o outro começava na outra. E as mudanças continuaram. A amizade dos novos vizinhos sofreu fissuras. Na prática tivemos resultados iguais com atitudes distintas. Enquanto que um exigia casamento para tentar reparar o “erro”, o outro ouviu o conselho dado pela sensatez.

Carolzinha estudava e tinha que cuidar do filho.  

Ricardinho conseguiu um trabalho e teve que assumir a responsabilidade de ser papai. Casou e virou “importador”. Os mais íntimos o chamavam de chibeiro.

- Trouxe uma surpresa para você.

- O que foi?

- Deixei na mesa.

- Um pacote gigante de massa argentina Ricardinho?

- Achei que fosse gostar. Lembra que o médico disse para você comer alimentos com carboidratos?

Sim, Ricardinho sabia onde podem ser encontrados os carboidratos.



Escrito por João Anschau às 17h34
[   ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Sul, Três Passos, Santa Inês, Homem, de 36 a 45 anos, Portuguese
Histórico
Outros sites
  UOL
  UOL SITES
  Blog do Barba
  Blog do Anton
Votação
  Dê uma nota para meu blog