Quadro, negro Largar a segurança da família e ir para um lugar desconhecido, com pessoas estranhas, num mundo novo, cheio de incertezas, de medos, de... Assim como a maioria de vocês eu tive a sorte de ser apresentado ao mundo escolar por uma professora que passava, para todos, segurança, capaz de fazer o tempo passar, de sentir que o chão não se movia e que não existiam “monstros” a nos emboscar. Dia 15 de outubro é lembrado como o dia dos Ensinadores/Professores. Profissão de importância impar, mas que parece não sensibilizar aqueles que deveriam garantir através de Lei remuneração, no mínimo, digna. O que encontramos, salvo raras exceções, é o descaso com quem deveria estar no topo e amarga à rabeira, os fim de fila. Uma lástima. Resultado dessa opção equivocada é uma operação aritmética que tem resultados negativos. Fruto de uma desvalorização que parece já ter sido assimilada pela sociedade que dela necessita. “Normalidade” que produz conseqüências desastrosas e que, seletivamente, “indignam” alguns, durante curto tempo. Depois, bom, depois cada um cuida do seu. Homenagear ou destacar seu valor é pouco. Se você ainda não abraçou sua professor(a) ou ligou para aquele(a) que foi importante em sua vida, o faça. Quem sabe assim começamos a mudar o conceito, o olhar, e não achar mais normal o educador trabalhar em várias – não está proibido, por favor – escolas para aumentar o orçamento. Ele merece o nosso abraço, o nosso respeito e a nossa indignação coletiva, mas verdadeira. Nada de 15 de outubro somente. Uma campanha permanente. Sinto falta da senhora professora Juraci. Da sua paciência, seu prazer em me mostrar o quanto importante somos, aprendizes eternos, de letras, números e de valores. A senhora acertou na escolha. Sinta-se abraçada e agradecida. Por linhas tortas, tento fazer a minha parte.
Escrito por João Anschau às 23h50
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Independente, lembram? A história do País é um misto de orgulho e patacoada. A começar pelo grito de Independência do Brasil. Fomos ensinados que D. Pedro montava um “imponente” cavalo branco. Essa é a história oficial, que não menciona que o alardeado animal era um burrico e que o Nobre se recuperava de um grave problema intestinal na referida data – no popular, diarréia. O enfeite se fazia necessário. Há muito que é possível, diuturnamente, acompanhar o ranço sobre qualquer conquista de nosso país. Tem-se a impressão de que a colonização mantém raízes e muitos são saudosistas de período onde era necessário pedir autorização para qualquer atitude, um verdadeiro absurdo, afinal somos um país independente. Lembram? Dois episódios recentes demonstram o quanto pequeno, ínfimo, é o caldo que sobrou de nostálgicos. Mas mesmo assim, fazem barulho. O fato de o país ter sido escolhido como sede de uma Olimpíada parece ter tirado o sono e o chão de meia-dúzia. Estes mesmos não clamavam em período anterior, quando se buscava o mesmo intento. Agora, somos incapazes, temos outras prioridades – como se nunca as houvesse -, a corrupção campeia solta,... A segunda passagem envolve a concessão de abrigo ao Presidente deposto de Honduras – leia-se golpe, para os mais atentos, qualquer semelhança com o Brasil de 1964, não será mera coincidência - Manuel Zelaya, em nossa embaixada naquele país. Enquanto que todo o mundo afiançava a atitude do governo brasileiro, a mesma meia-dúzia invocava “conhecimentos” da lei hondurenha para tentar justificar aquilo que batizaram de “trapalhada”. Dizem que contra fatos não existem argumentos, mas a teima é do ser humano. O orgulho de ser brasileiro é algo natural. Somos um país continente com toda sorte de problemas. Nada nos desanima. A força e perseverança do povo emocionam. Mas sempre teremos, para tentar pôr para baixo qualquer possibilidade de melhor na auto-estima, uma elite pequena, mesquinha e ainda acostumada a pedir concordância para qualquer arroto. Um complexo de vira-lata que não reconhece no Brasil uma potência mundial e um País que está dando certo, mesmo tendo diariamente uma torcida contrária.
Escrito por João Anschau às 21h18
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Crise- sic-?????? Democracia é palavra utilizada a rodo, mas a compreensão sobre seu significado e sua prática parece ter a mesma distância entre a Terra e a lua. Há poucos dias a palavra censura voltou a ser mencionada. Um jornal paulista afirmou que estava sendo impedido de informar seus leitores a cerca de determinados acontecimentos. Não é de hoje que a chamada grande mídia sofre de amnésia seletiva. Com a chegada da internet, e sua popularização, as informações ganharam em pluralidade. Não existe mais a versão única para o fato. O contraponto, saudado e pouco praticado, deu as caras. A mídia, grandes grupos, sente-se ameaçada diariamente. Sua sobrevivência está atrelada a interesses distintos do grande público. É o que alguns chamam de jornalismo de empresa. A fabricação de factóides tem se tornado praxe. Tentam a todo custo emplacar teses, sem contabilizar causas ou conseqüências. O recente embate entre duas dos maiores conglomerados de comunicação do país expôs o que está em jogo: interesses de parte a parte. Cada um tenta se proteger da maneira que pode. Esqueçam regras de bom comportamento. Na selva de pedra pode tudo. Para baixo do pescoço é tudo canela, diriam os futebolistas. O desrespeito com o público fica explicito. Agora, muitos, sabem que tipo de jornalismo é praticado por esses dois grupos. Democratizar os meios de comunicação seria a saída mais fácil, mas convenhamos que sua engenharia seja um tanto complexa. Mesmo proibida por Lei, à concentração dos veículos é encontrada de norte a sul. Quando se tenta mexer nesse ninho de vespas, logo é invocado o termo censura. Indignação coletiva pode ser notada em vários segmentos. Mas o mesmo sentimento arrefece quando situações mais humanas pedem guarida e são ignoradas. Engraçado, para não dizer patético, é encontrar defensores de absurdos passivos e descritos no Código Penal. Ainda acreditam que o povo quer apenas pão e circo e oferecem diariamente espetáculos deprimentes. Se existe alguma crise no Brasil atualmente é a da mídia, capitaneada por senhores que ainda acreditam que vivem em feudos.
Escrito por João Anschau às 21h20
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Relatos! Sempre desconfiei daqueles que necessitam a cada sentença agradecer a Ele pelo “feito”, independente do que venha a ser “conquistado”. Tenho a impressão de que existe a necessidade de avalizar-se integralmente toda e qualquer ação. Parece que tudo fica mais “honesto”. Gosto de ouvir relatos. Histórias contadas, representadas, narradas, me fazem participar do ocorrido mesmo não tendo testemunhado-o. Certos contadores são especialistas em recriar situações. No último final de semana eu encontrei dois destes. O primeiro, um dos melhores profissionais de sua área. Ouvi-lo é mais do que um exercício necessário para tentar compreender os motivos que nos levam a optar por G e não pelo X. Suas histórias, pinçadas de sua rotina CLT, deveriam ser obrigatórias em aulas de jornalismo. Dificuldades narradas como se fossem conquistas. Aprendizados que a academia não nos oferece. A outra já é oitentona. Assim como minha mãe, ela gosta de conversar sobre o ontem. Ouvi durante várias dezenas de minutos o quanto nos tornamos vazios. Seus depoimentos merecem outro tipo de registro. São histórias que tendem a ser esquecidas. Somos a geração sem tempo para nada e paciência linear. Pobreza total. O diálogo assume outras proporções à medida que interesses outros se sobrepõem ao mundo de verdade. Atitudes consideradas românticas são depreciadas, assim como admitir os nossos erros humanos. Criticas são encaradas como patrulhamento. Discordar é um abuso inconstitucional. O que ontem era condenado, hoje é pintado como necessário para a manutenção da harmonia reinante. Apagam-se registros como se fosse possível recontar a História, omitindo seus pecados. A tentativa do convencimento se dá através de repetições exaustivas e cansativas de teses criadas para o momento. O esforço resulta numa enorme embriaguez mental. O mínimo agora é o máximo e o idiota passa a ser tratado como um Fidalgo. O ar condicionado e o carpete devem produzir danos cerebrais ainda não identificados pela ciência. Talvez isso justifique a repentina mudança de “pensadores” que até há pouco defendiam o mal necessário. A sacanagem não está na fatura, mas nos efeitos que ela produz. Penaliza-se o batedor de palmas, incapaz de rebelar-se contra aqueles que o alimentam com pão e circo, enquanto que os criadores do brinquedo sem freio continuam a pensar novas tragédias. Por isso me encanta ouvir histórias do cotidiano que me remetem a uma realidade mais saudável. Nela não me preocupo com derivativos. O abstrato é algo relacionado à arte e o concreto é sinônimo de obras. E Ele deve estar rindo de nossa evolução. Voltamos a praticar o canibalismo, agora inconsciente. Não adianta ajoelhar e esperar que Ele faça um novo milagre e multiplique os peixes. Esqueçam. Ele já está em outra, curtindo seu Playstation zero bala.
Escrito por João Anschau às 17h46
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O Cara
A menina dá duas olhadas. Poderia ser para qualquer um, mas não. Aquele convite visual tinha nome, endereço, CPF, Identidade e Carteira de Motorista que não serve pra nada a não ser fazer volume na carteira. Sim, era pro Cara.
O mundo pára. Os Bade - sim, era essa a identificação do grupo musical ou sei lá como deva se chamar aquilo - entendem o momento e tocam - não lembro direito o que era, mas foi "apropriado" - algo que torna tudo mais, mais, mais, sei lá o que. Veja como é difícil adjetivar tão singular instante.
Objetivo. Meta. Estratégia. Esqueça tudo isso. Não rola. Ele é o Cara. Não vai atrás. É encontrado. É observador, atento a qualquer novidade que possa significar uma, quem sabe, presa. Mas não me refiro à caça no sentido pejorativo. Por favor, não. Ele tem cepa.
É do tipo que não perde tempo em conversas improdutivas. Acha desgastante aprofundar algo que não trará dividendos pra ontem. Plantar para colher a longo prazo é papo para aposentado, diria o cauto e ídolo do momento de vários.
A Moça foi direta e convenceu a Lenda a dançar. Não deve ter rolado nenhum contrato formal - apesar do rapaz ter admiração por protocolos legais -, tampouco salvaguarda sobre eventuais desistências. Aquilo parecia não estar acontecendo. Não havia um vintém de racionalidade. Eu não estava sob efeito do álcool ou qualquer droga ilícita. Era tudo tão real e motivante como a Disney.
Como houve uma interrupção na "normalidade" - menos os Bade, o Cara e a Moça - não sei, ninguém sabe na verdade, qual foi o tempo que durou aquele Conto de - Fadas não dá - ..., enfim, o período de legitimação de uma teoria, não conhecida ou revelada, mas inúmeras vezes testada pelo próprio em lugar não sabido: a do menor esforço físico e mental para mostrar ao mundo que diálogos são desnecessários e que sinais corporais - não me pergunte o que isso significa - são o suficiente quando o jogo é de dupla. Algo questionável, mas perfeitamente aceitável num planeta que privilegia o aham, ao invés de uma conversa que contenha palavras compreensíveis.
Mas logo nosso Herói voltou. Um leve e maroto sorriso presente, desdenhando de todas as facetas utilizadas e ensaiadas exaustivamente pelos simples mortais e que demonstraram não funcionar tão bem quando o Cara está presente. Pra quê palavras?
Os dinossauros deixaram de existir há muito. Creio que o convívio seria um tanto quanto problemático. O tamanho. Imaginem eles defecando. Provavelmente a caca toda cairia sobre as nossas cabeças. Não. Melhor sem eles. Aparentemente ficaram parentes, menores, felizmente. Assim como os répteis tornaram-se lendas, temos no cotidiano, exemplos de outras tantas. Ainda não houve interesse - AINDA - de estudiosos em relação ao comportamento de determinadas tribos e seus integrantes. Mas como tudo é objeto de estudo, eu não ficarei surpreso se em vida o Cara for analisado e descoberto que sua forma de agir transcende o surgimento dos grandões pescoçudos. Quem sabe poderia surgir uma nova teoria sobre o surgimento da vida na terra; ou Ele poderia ser apontado como o próprio mito, que motivou a lenda da Caverna de Platão. Talvez, talvez...
Escrito por João Anschau às 16h30
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Tapem o nariz
Ela nunca me ligou e quando eu tomei a iniciativa faltou-me coragem para pronunciar poucas palavras. Emudecer acontece, mas o que não deveria se repetir é à falta de coragem em situações nas quais muitos dependem de uma atitude.
A lógica do informar segue preceitos tão básicos quanto aqueles usados pelas crianças quando aprendem a caminhar. São cuidados necessários para evitar algum tipo de dano. A apuração deve ser cuidadosa, como o firmar e o tentar ergue-se para os primeiros passos. Lógica, seqüência...
Um rápido apanhado do cotidiano me faz crer que a imbecilização do ser humano está em curso com força super-heróica, capitaneada por grupos que se sentem provocados a manter a boiada no cercado. Confunde-se informação com entretenimento, seriedade com má-fé, audiência com irresponsabilidade. E quando alguém chia contra os desmandos e as barbáries da quinta coluna, os sinhozinhos logo saem a atirar, fazendo-se de vítimas, dizendo estar em curso uma tentativa de cerceamento da liberdade de expressão. Artimanha igual é usada pelas crianças que não querem tomar banho, só que estas logo são "convencidas" da importância de manter a higiene. Já o mesmo não se pode dizer dos sócios do império midiático.
O medo que tenho de lugares altos continua a me acompanhar. É algo que trago desde sempre e dele não consigo fugir. Não existe uma marcação cerrada, apenas o respeito a limites pré-determinados por um sentimento que aparece toda vez que estou em lugares elevados do chão e que não oferecem garantia alguma. Segurança, nesse caso, seria algo que me fizesse sentir menos encagassado.
Notícia publicada no mural de recados da jornalista Rosane de Oliveira, "Página 10", do jornal Zero Hora, dia 9, dá conta da volta do super-super Cézar Busatto aos pampas riograndenses. Deram a notícia assim, de supetão, sem nenhum cuidado. Não se deram conta que nosso combalido organismo não suporta mais fortes emoções como estas. Dessa vez passa.
Busatto havia ido para os EUA "reforçar" a campanha de Obama. Deve ter feito a diferença. Ficou por lá até que os moradores da parte de baixo do nosso país esquecessem-no. Esse senhor foi pivô de um escândalo, provocado pelo maluco beleza, vice-governador sulista gaúcho, Paulo Feijó, que gravou conversa entre ambos, tratando de assuntos de "economia interna". O secretário multi-multi funcional relatou o esquema de financiamento de campanha do PMDB e PP, através do DAER e Banrisul. Depois de discursos inflamados, promessas de processos e de puxões de cabelos, o imbróglio foi esquecido. Nenhuma linha. Nem o combativo Ministério Público que queria exterminar o MST se manifestou. A imprensa comprometida com a verdade se comprometeu com a manutenção do sistema vigente no Rio Grande do Sul. Mais uma vez.
Estamos achando normal ver cavalo correndo de ré. Mas quem sabe a chuva melhore o humor da minha úlcera. Espero ainda que Papai Noel seja benevolente comigo, não acreditando na campanha em andamento que pretende me rotular como um "menino" levado e, conseqüentemente, deixar de trazer meus presentes.
Escrito por João Anschau às 16h28
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Que horas são?
São oito horas e trinta e dois minutos. Outro dia quente. Até aí nenhuma novidade. Deparo-me com o caminhão do lixo e os catadores correndo freneticamente. Imagino que devam possuir metas. As condições para o exercício da função estão longe de serem as ideais. Mãos totalmente desprotegidas, caminhão lotado, dando a impressão de que boa parte dos detritos pode despencar. Logo, chega-se a conclusão de que o veículo não é o mais apropriado.
Quase nove horas. Começo a ler a matéria sobre os destaques políticos do Congresso no combate a corrupção. Achei que fosse piada, mas não é primeiro de abril, portanto, a escrita é para ser “séria”. Os avaliadores levaram o que mesmo em consideração para apontar os mais “combativos”? Não se sabe. O repórter preferiu dar destaque ao gaúcho laureado com tão importante distinção. É aquele mesmo cidadão que foi acusado de acobertar presidente de banco acusado de ilícitos e de ainda não ter processado o busattão – conforme promessa do laureado combatente- pelas acusações proferidas contra o seu partido. Nem vou lembrar que este mesmo senhor franciscano é apoiador, avalizador, conselheiro e defensor ferrenho da atual governadora. A mesma que, segundo a própria, está sendo escravizada enquanto gestora pública maior dos pampas. Tadinha, mas assim caminham os animais, diria um amigo.
Flexibilização ambiental pode ser um dos motivos da tragédia catarinense. Finalmente alguém resolveu buscar as causas, menos o segundo porta-voz da RBS em Brasília, que ainda prefere dizer que o governo federal tem responsabilidade no infortúnio Catarina. Sua crônica da semana passada merece ser estudada em alguma matéria de jornalismo, tentando decifrar em que classe o indócil rapaz, com suas manifestações febris, se encaixa. Nota-se que tanto o discurso de lá – Luis Henrique - como cá – Yeda – tratam o tema meio ambiente com olhar de gato querendo comer o peixe – também conhecido como desenvolvimento responsável – sic-. Avalia-se numa rápida leitura o seguinte: ambos querem que tudo que possa frear/brecar as tentativas de “crescimento econômico” – traduzindo: modelo de gestão governamental público que é pautado por uma agenda infinitamente favorável as pretensões mercadológicas de grupos nada preocupados – esqueçam a baboseira sobre responsabilidade social – com o que possa vir a significar, por exemplo, manutenção de matas ciliares - vá para junto do calor do inferno, rotulando de atrasado quem se opõe ao modelo. Atingido, sinto-me um sapiens qualquer.
Nove e dezessete. Tenho a impressão de ter esquecido algo em casa. Devo lembrar quando dela(e) necessitar. É sempre assim. Saio de casa sem guarda-chuva e cai um aguaceiro. Ponho a jaqueta e faz calor. Saio de bermuda e despenca a temperatura. Vou a uma festa e só tem cerveja quente. Resolvo ir pescar e a pesca está proibida. Não se trata da falta de sorte, mas circunstâncias que somadas a fatores diversos conspiram contra.
Dez horas e quem era pra estar conversando comigo desde ás 9 ainda não apareceu, tampouco deu qualquer explicação. Esse é um dos maiores problemas da humanidade: todos acreditam que todos estão a sua disposição sempre. Se eu fizesse o mesmo, correria o risco de ouvir uma lista enorme de adjetivos nada elogiosos.
E como não anotei, o final do texto será sem final. Puxei, estiquei, fiz de tudo que foi possível, mas não lembro do último tópico. Fiquem tranqüilos, não deve ser nada que influenciará os rumos do planeta. E se for, teremos que aguardar pacientemente.
Escrito por João Anschau às 17h46
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Engraçado, mas eu não achei!!!!!!!!!!! Faz tempo, não sei precisar a exatidão do período, mas o fato chamou minha atenção de tal forma que fui pesquisar o sentido literal da afirmação. Era um sábado quente. Disputávamos um campeonato longo – para os meus padrões atuais –, que contava com equipes oriundas de vários bairros, de inúmeras escolas. Nos confrontos não era raro encontrar um vizinho, um conhecido. Mas tudo era competição, com o objetivo de sempre ganhar. Participar, sendo o sentimento mais importante que movia os atletas, sem chance. Aquele final de semana estava, por demais, abafado. No anterior havia chovido e a rodada fora transferida. Tínhamos de jogar duas partidas no mesmo dia. Na primeira, tudo certo. Já a segunda teve, antes do início do jogo, uma rápida conversa: o técnico da equipe avisou que a nossa derrota resultaria na desclassificação de um dos favoritos da competição. Não houve uma imposição, mas apenas a socialização de um cenário que poderia nos trazer “facilidades futuras”. Caramba, eu queria ser campeão e não escolher o adversário mais “fácil”. Eu não era o único contrário a tal sugestão. Unanimidade – como diria o grande pensador, pode significar falta de inteligência. Essa semana não teve show de Judas Priest na capital, mas o cenário montado pela assessoria da governadora Yeda Crusius foi digno de algo equivalente. Tudo para anunciar o pagamento, dentro do prazo legal, do 13º salário do funcionalismo público estadual. Repetindo: tudo para anunciar o pagamento dentro do prazo legal do 13º salário do funcionalismo público estadual. Para não ficar nenhuma dúvida: tudo para anunciar o pagamento dentro do prazo legal do 13º salário do funcionalismo público estadual. Em Brasília, o presidente do STF, Gilmar Mendes, mistura negócios particulares com a sua função pública. Seguidamente gosta de fazer pré-julgamentos, antecipando veredictos e influenciando a opinião pública, mesmo sem caber a si esse papel. Gilmar Mendes se sente um ser onipresente, necessário assim como o ar. Não passa uma semana em que ele esteja fora das pautas da mídia. Até agora somente – até agora mesmo – Dunga não foi repreendido pelo presidente do Supremo. Sua preocupação em relação a determinados acontecimentos pode ser comparada a mulher grávida que sente vontade de comer jaboticaba às três da manhã, acorda o marido e faz o dito ir atrás da fruta, mesmo sabendo que será impossível encontrá-la, mas a gestante acredita piamente que se não comer a pretinha a criança é que sofrerá as conseqüências da inconseqüência do incompetente do marido que não conseguiu atender uma “simples” demanda. Ufa... O piloto brasileiro Hélio Castroneves, acusado de sonegação fiscal e evasão de divisas nos Estados Unidos, compareceu junto à Corte Federal Americana com algemas nas mãos e correntes nos pés. Repetindo: o piloto brasileiro Hélio Castroneves, acusado de sonegação fiscal e evasão de divisas nos Estados Unidos, compareceu junto à Corte Federal Americana com algemas nas mãos e correntes nos pés. Para não ficar nenhum resquício que represente questionamentos ou interpretações apressadas: o piloto brasileiro Hélio Castroneves, acusado de sonegação fiscal e evasão de divisas nos Estados Unidos, compareceu junto à Corte Federal Americana com algemas nas mãos e correntes nos pés. O presidente do Supremo Estadunidense não deu entrevistas mencionando a espetacularização do ocorrido. As instituições financeiras recebem socorro global e somos convencidos que isso é necessário para que o status quo seja mantido para os de sempre. Poucos se atrevem a debater e discutir o real significado dessa lambança – algo que parece cíclico como os Cometas. Nunca há dinheiro suficiente para educação, saúde, segurança, cultura..., mas socorrer banqueiros parece que ter virado esporte terráqueo. Não é irresponsabilidade o que estes senhores cometeram. O nome exato e literal é crime e todo o delito deve ser punido com algum tipo de penalização prevista no Código Penal. O “Samba do Crioulo Doido” ganha novos estrofes diariamente. Uma greve de professores em andamento, polícia civil descontente, integrantes da brigada militar a beira de um colapso e uma governadora que mais parece viver no mundo de Peter Pan, fingindo não ser com ela. Déficit zero é o slogan. Mas as despesas com publicidade tiveram um reforço no orçamento de 55,01% - será que fica claro para os mais céticos o esforço diário do grupo RBS para manter Yeda respirando, mesmo que seja por aparelhos e garantir o dinheiro público, mesmo pregando o estado mínimo? – e outras obrigações – repasses para os municípios de valores devidos para os mesmos – não são realizadas como previstas. Algo está errado: pagamentos em dia de nossos débitos são dignos de coletiva e megaeventos ou vivemos em um Estado que prima pelo adiamento da quitação das dívidas com os credores? Experimente, você atrasar em alguns anos o pagamento de uma despesa. Se isso acontecer e você quiser protelar a liquidação do mesmo, tente um habeas corpus junto ao STF, que lhe garanta o inafiançável. Quem sabe funciona. Alguns possuem facilidades. Você, não? A registrar: que a imparcialidade é prática próxima ao deboche, difundida como necessário para demonstrar “razão” pelos media brasilis todos ou boa parte já são sabedores. Mas o jornalista William Waack, no jornal da Globo, de terça-feira, dia 18, mostrou em dois momentos toda sua inconformidade e indignação digestiva. Primeiro, ao editorializar informação prestada pela CPI dos Grampos na qual o presidente da dita, Marcelo Itagiba, PMDB – RJ, integrante da bancada Dantas no Congresso, afirmou categoricamente que existem em andamento mais de 400 mil grampos telefônicos no Brasil. Mais tarde o corregedor do Conselho Nacional de Justiça disse que havia cerca de doze mil procedimentos de escutas autorizadas pela Justiça. O contraponto não fez parte da ira do pseudo-jornalista. Ele preferiu a versão que mais agradou a seu fígado e ouvidos. Inflação de números em tempos de crise? No mesmo programa o “imparcial” Waack teve que ler a notícia da permanência do Juiz Fausto De Sanctis na condução do caso Satiagrara. Aí o rapaz quase teve um colapso, assim como deve ter tirado o sono de muitos políticos e jornalistas.
Escrito por João Anschau às 14h25
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Agenda, página um!
Agenda, página um!
O choro de Jesse Jackson, na noite de terça-feira, retratou o sentimento de milhões. O andar debaixo subiu para o salão de festas. Fico a imaginar a elite tendo que sentar-se com aqueles que até ontem lhe serviam e ficavam confinados em pequenos espaços, fétidos e cheio de fantasmas. Obama ganhou. Venceu, assim como Lula em 2002, o medo, a desconfiança. Aliaram-se a ele milhões de jovens. desempregados, desenganados, desiludidos, desmotivados e envergonhados.
Os EUA criaram uma crosta antipática sobre si de dimensões que ultrapassam qualquer régua imaginável. Os “guardiões” da humanidade não respeitam Leis ou Tratados e se fazem de surdos quando lembrados sobre os excessos cometidos. ONU, OEA ou qualquer outro O não conseguem fazer valer seu poder quando o assunto é EUA. Se Deus abriu um escritório na Terra, os estadunidenses garantem que é em Washington, anexo à Casa Branca.
Chorar sempre foi encarado, por uma sociedade preconceituosa, conservadora e ressentida, como fraqueza. Padrões rígidos que não permitem sinais de vida dentro de seres vivos. Um sorriso poderia significar a quebra do pacto, onde os fracos ficam de um lado – o de baixo – e os que “seguram” a barra de outro – nos gabinetes com ar condicionado, pensando o mundo, mesmo não o conhecendo na prática.
O choro da vitória, da perda, da despedida, do reencontro, do nascer, da vida... são manifestações necessárias para continuarmos nossa caminhada. Jesse Jackson chorou pelos seus e por milhares de outros. Um sentimento que retratava um senhor em meio ao público, em uma solidão velada, deixando correr no rosto lágrimas, trilhando um caminho desconhecido, cheio de marcas e de histórias. A eleição de Barack Obama possui vários signos. Reascendeu a luzinha da esperança – não o município, como lembra um grande amigo -, a possibilidade de discutir e encontrar soluções para os problemas que atingem o, ainda, nosso planeta. Os conflitos patrocinados por uma indústria bélica que necessita faturar poderiam pautar a grande lista de prioridades do futuro governo norte-americano.
As eleições acontecidas nos EUA trarão um dilema para muitos formadores de opinião registrados no Brasil, mesmo a contragosto. Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão, Ali Kamel, William Bonner, Alexandre Garcia, Lúcia Hipólito, Arnaldo Jabor..., continuarão a bajular o Tio Sam ou o fato de um negro assumir o posto de senhor do universo fará com que essa relação de submissão mude?
A registrar: a incompetência e o adulo são dois defeitos de gravidade nível alto em minha avaliação. Pois bem: o repórter/jornalista Heraldo Pereira demonstra a cada participação, em qualquer telejornal da Rede Globo, o quanto utiliza do expediente lambe-botas para fazer seu trabalho. A matéria realizada com o sem noção senador José Sarney – avaliação sobre a eleição de Barack Obama, veiculada no Jornal da Globo - foi de uma mediocridade quilométrica, não encontrada nos piores trabalhos acadêmicos dos alunos de Comunicação Social. Seus comentários são bisonhos, para dizer o mínimo. Em que mundo esse senhor vive? Esse é o padrão Global de informação?
Escrito por João Anschau às 16h56
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Novembro!
A frustração só pode ser medida pelo sentimento que o move e não pelo conceito contido em livro de auto-ajuda ou similares. A auto-estima não é um ponteiro da balança. Você pode mexer com os brios do “sem vontade” e só, e, ainda, com prazo de validade. Aqui na região vez ou outra “pensadores” caem e nos tomam alguns suados trocados. Frases de efeito e humor digno do PROCON fazem a festa. Saímos maravilhados e com “respostas” pra tudo. Ficamos sabendo que o problema não é o mundo, e sim, nós. A existência tem um custo e ..., enfim, tudo tem explicação.
O Brasil perdeu, dizia o comunicador. Perdeu? Mas ganhávamos algo? O pobre de espírito, mas rico de finanças se referia a decisão do campeonato de Fórmula -1, 2008. Estamos assim. O sentimento de inferioridade deve ter tomado conta de milhares. Deve ser conspiração ou algo que o valha. Inclusive uma campanha foi lançada, pedindo para que todos os brasileiros deixassem de comprar Ferraris. Isso deve colocar os Italianos no seu devido lugar.
E a crise como vai? Estou esperando chegar a fatura. Já me alertaram: tenho que ajudar a quitá-la, mesmo não comendo caviar ou tomando champagne. É da vida e temos que auxiliar os “parceiros” quando estes necessitam. Nem vamos entrar no mérito, tampouco pensar em mandá-los comer papel, pois nosso espírito do bem impede qualquer reação menos “civilizada”.
Dizem que São Paulo é a Europa perdida no Brasil. Vai saber. Sei que teremos no estado da gloriosa Revolução Farroupilha e dos cultos e politizados rio-grandenses uma paralisação de três dias da Polícia Civil. Imitamos o estado do pretendente Serra/Presidente. Lá, os resultados já foram observados via mídia “desocupada e marrom”. Aqui, como mencionei em textos anteriores, começamos a ter no Comandante Mendes um defensor ferrenho dos anos de chumbo, repressão a todo vapor, avalizada por uma administração tacanha, respaldada pelos de sempre.
E as chuvas resolveram aparecer mais do que o necessário. A mãe Natureza continua a fazer estragos. Mas a assessoria da governadora, Yeda, “esqueceu” de avisá-la sobre os fenômenos climáticos e seus desdobramentos. Ao invés de dar atenção a quem realmente precisa(va) a digníssima foi a Brasília pedir auxílio para a Aracruz, empresa que resolveu brincar no cassino e perdeu. Em pensar que ainda temos dois anos de... pela frente.
O jornal destaca timidamente que o vice-governador RS, Paulo Feijó, vai processar o ex-secretário, ex-conselheiro, ex-pensador, ex-extraordinário, ex-governança, Cesar Busatto, gravado pelo algoz tucano no estado, em conversa comprometedora, na qual o formato de perpetuação no poder e o financiamento desse estelionato era contado em riquíssimos detalhes. Creio que é desnecessário lembrar o episódio, mas não li ou ouvi mais nada sobre o caso ou algo que mencionasse, por chiste, um pequeno lapso, o início de uma investigação sobre a veracidade do diálogo. Afinal estavam falando sobre o desvio do erário.
E os EUA elegem um negro para Presidente. Um País moldado pelo capitalismo e que acredita ser o juiz universal terá como mandatário um Democrata que foge dos padrões tradicionais estadunidenses. O preconceito é algo tão normal quanto a areia no deserto. A desconfiança aumentará a medida que Obama – se cumprir as promessas de campanha – adotar uma nova política externa, de diálogo e não do enfrentamento bélico. Uma opção, para os padrões dos EUA, perigosa. Precisará mais do que sorte, pois os amigos nem sempre significam amigos.
Já ouço múrmuros na sala ao lado pedindo para que o calor se vá. Pergunto: “como isso é possível”? Resposta: “que venha a chuva. Fica mais fresquinho”. Humanos, humanos.
Escrito por João Anschau às 11h23
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Cuidado com a dosagem
Coronel Paulo Mendes gosta de bater em trabalhador. Tem ojeriza a cheiro de povo. Gosta de mostrar quem é que manda. Diz que não dialoga com “vagabundo”. Parece possuir outro dicionário. Está afinado com a mandatária da casa rosada sul rio-grandense – para quem ainda não sabe, durante a noite são acessos holofotes em direção ao Palácio Piratini, tornando a fachada rosa – e segue uma linha que parece não possuir reta, somente curvas e sombras.
A crise econômica que atinge boa parte do planeta é assunto obrigatório. Mesmo sem saber ao certo o que fez de errado, o catador de papel sente que pode ajudar a pagar a alta conta. Seu crime: ser humano e fazer parte da aldeia globalizada, que globaliza, principalmente, os prejuízos dos de cima.
A violência é o meio encontrado, muitas vezes, para dizer, basta. Ferramenta usual e de fácil domínio para quem tem ao seu lado garantias de qualquer ordem que não podem ser questionadas, sem choro e, de repente, com vela. Provoca danos, mas dependendo de quem a utiliza, encontra justificativa para toda e qualquer ação “necessária” para manter a lei e a ordem vigente, mesmo sem deixar claro o que isso significa.
Estamos à mercê do humor especulativo para saber se podemos programar as nossas próximas férias. Se a geração futura será a responsável pela quitação da conta contraída pelos primogênitos ou colocaremos na rubrica contas diversas. Ou daremos um basta a tudo e viveremos em comunidades, harmoniosamente, reeditando Woodstock, dando hasta la vista baby para a indústria bélica e a turma da banda larga.
Mas voltando ao mundo ainda real... Estatização. Palavra que provoca calafrios nos receitistas tecnocratas economicistas remunerados pela casa grande para falar bem do mercado livre e suas “benesses” para a turma conhecida como chão de fábrica. Símbolo do atraso, pois os “conhecedores” de tudo e de todos dizem que o brique é tornar privado o que é estatal. Devem estar arrancando todos os fios de cabelo – independente da parte do corpo, de cima ou de mais embaixo – ao saberem que o governo norte-americano vai estatizar os falidos de ontem. Nenhuma linha sobre isso por aqui. Já que gostamos de copiar os de lá, ficou ruim para a platéia de cá.
Entre os “prejudicados” pela diarréia econômica global está a Aracruz. Ela mesma. Aquela que foi, praticamente, canonizada pelos senhores explicadores/formadores/opinadores e nas horas vagas, homens de bem e que residem próximos a nós, “felizmente”. Eles nos garantiram que se tratava de empresa séria, como séria seriam suas intenções para conosco. Sabe como é povo “politizado” e “culto”: precisa saber aonde se mete.
Mas agora se sabe, a boca pequena, que a empresa “celestial” celulósica também brincou no tal mercado e perdeu muito dim-dim. Mas a assessoria, digo Zero Hora, se faz de analfabeta e finge não ser com ela. Sabemos, ainda por conta das conversas de comadres, que os investimentos que iriam fazer a diferença em nossa querência podem estar comprometidos. Só espero que quando avisarem a Yeda, o façam com toda a prudência e confiram, antes, se ela tomou os tarja preta. É melhor prevenir do que remediar – desculpe o trocadilho. Não escrevo por todos, mas creio que não suportaríamos tamanhas decepções. Somos de carne osso e emotivos em quantia.
Por favor, tenham o mesmo cuidado ao comunicarem o “intrépido” e “combativo” Coronel Mendes que os últimos acontecimentos provocados por “gente sem coração” podem vir a enfraquecer a lei e a ordem mundial. Imagem ele dando ordens pra bater em banqueiro e especulador, chamando-os de vagabundos, antes das reuniões, onde os senhores de “bem” resolvem passar o chapéu e pedir penico. Coronel Mendes é único e assim como a governadora, são “nossos”. Devem fazer muitos sentirem inveja, mas é da vida. Uns com tanto, outros com muito pouco.
Escrito por João Anschau às 20h45
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É apenas o começo
Não existe somente desencanto. O estímulo a práticas ilícitas dos dois lados do balcão faz do jogo algo imprevisível. Não existem garantias, apenas o “compromisso” assumido e a espera angustiante pelo resultado. Caso não se atinja o objetivo, a parte lograda não poderá acionar, tampouco cobrar – redundância necessária, pois se trata de valores, “monetários” e “éticos”, em jogo – algo do descumpridor de acordos.
As histórias se somam ao desconforto em testemunhar cenas mais próximas de uma cidade abandonada, desalojados de qualquer tipo de assistência. Não raro ouvimos relatos que poderiam ser taxados de ficcionais, mas a realidade explícita e crua não deixava dúvidas. Exageros a parte, a vida real dava mostras que tudo era verdade.
Carência. Existe e muita. As pessoas sentem necessidades e uma delas é de conversar. Elas querem atenção. Querem ser ouvidas. Que alguém ouça as suas angústias. São as sofreguidões humanas, jogadas às sombras, relegadas como estorvo. Aqui reina a hipocrisia. O calendário deve ser alterado, tornando esses encontros mais freqüentes. Não se trata de assistencialismo, mas o reconhecimento de que uma relação de duas mãos confere a um dos lados o direito de ser considerado e do outro o dever de manter um relação/vínculo que o cargo exige.
Sentimento. O descontentamento é um deles. A rejeição podia ser notada em diálogos mais próximos de uma confissão de mea culpa. Pareciam reconhecer o erro e o engodo no qual foram induzidos a fazer parte. O mundo do faz de conta tem seus reveses. A desilusão parece passar de um para outro como aquela brincadeira de criança chamada de lets. O vento mudou de lado. Não sabemos ao certo para onde iremos, mas ser pior do que o ruim atual é improvável que aconteça.
A rotina. Tudo muda quando são referendados os resultados. A adrenalina normaliza. As noites mal dormidas dão lugar ao bom sono. O desgaste é substituído por afazeres outros. Agora tudo gira em torno da expectativa do que virá no embrulho do novo. Aquele friozinho na barriga também faz parte. A maioria preferiu agredir ao invés de propor. Idéias são substituídas por palavras de cunho bilesco e não contribuem em nada para a resolução dos problemas de urgência máxima. Uma lástima, mas a bem da verdade, uma fatia considerável do eleitorado prefere o grotesco, o teatro do horror. Para estes, a diversão está representada nas frases fortes que agridem os mandatários que tanto os desprezam. Uma vingança bancada pelo andar de baixo.
Tomara que o esquecimento e a amnésia não tomem conta da mente daqueles que assinaram um cheque em branco, sem saber ao certo o valor do empréstimo e as condições de pagamento. Torço para que a responsabilidade ande pari passo com todos aqueles que abriram o compartimento interno de milhares e fizeram reacender a esperança.
Escrito por João Anschau às 15h48
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Digite e confirma!
Ele poderia ter escolhido outra profissão, mas preferiu dizer a amada que pertencia a Brigada Militar. Tentei imaginar como se davam as conversas com a eleita; as perguntas que ela fazia; as histórias que o intrépido contava; os sonhos que a ludibriada alimentava. Enfim, um cenário foi montado para sacramentar uma história de amor, que por vias tortas fora desvendado, para azar do dom Juan de farda.
Tentar condená-lo pela ação é da Lei, mas a sentença maior e mais dolorosa pode ser dada pela (ex) namorada. Será o fim de mais um apaixonado que usou de estratagemas pouco recomendados pelo bom senso, mas que se agarra no argumento do coração para ter agido assim?
As mentiras fazem parte do cotidiano. É quase unanimidade. Nos enganamos acordados ou dormindo. Acreditamos ou fingimos crer em algo que não convence nem as crianças em idade de alfabetização. A realização pessoal e profissional passa por canais que não justificam noites mal dormidas. Nossas vidas se tornaram um gigantesco mural cheio de metas. Não condeno essa prática, mas não encontro nada que abone essa conduta. Seguimos uma imposição que diz o seguinte: a felicidade está no consumo de tudo que estiver ou não ao nosso alcance e para tanto esforços não devem ser medidos. Se o orçamento atingiu o teto, fique tranqüilo. Sempre existe uma financeira perto de você para ajudá-lo a ser “eternamente” feliz, mas sem deixar de quitar as parcelas em dia, é claro.
Tenho ouvido pedidos de desculpas surgindo de vários lugares. Antes eram atletas, agora, foram substituídos por políticos.
- “Desculpe-me, mas quatro anos passaram muito rápido. Afinal o que são 48 meses? Prometo ser mais ativo e deixar de ser passivo no próximo mandato. Conto com você.”
Política virou sinônimo de comércio. Podemos escolher na vitrine da telinha quem tem a melhor imagem, está mais bem vestido ou alinhado para ocupar um cargo tão imponente. Adquirimos um produto que pode resultar em dores de cabeças, pois os mesmos parecem não ter prazo de validade. E pior: não podemos devolvê-lo ou trocá-lo por outro mais “bonitinho”.
O fruto disso tudo são escolhas pessimamente fundamentadas, amparadas em posições mais próximas ao mundo de ‘Alice no País das Maravilhas’. É belo mostrar o belo e condenável tocar no real. Se o photoshop alisa o enrugado, o mesmo não pode ser utilizado para recriar uma trajetória de vida. Mudam-se discursos para acompanhar uma nova tendência, a de não discutir política como algo necessário e positivo. O problema não é a política, mas quem a faz. Essa sentença é pública e notória, mas relegada por quem deveria estimular outra prática. A condenação ao mau jogador não deve implicar um juízo de valor sobre o esporte que ele pratica.
Adelante, diria o argentino, mas seguro. Afirmar que o atraso para a chegada ao cinema ocorreu pela lentidão do trânsito, quando na verdade foi o futebol o responsável pela demora, não é pecado que necessite do perdão papal. Mas é de bom tom ficar atento, pois adiamentos podem provocar fenômenos já desvendados, mas que ainda não foram assimilados.
Escrito por João Anschau às 16h33
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Avançamos?
Que posição está o Brasil hoje, tio? Essa é a pergunta que mais tem ouvido nos últimos dias. Meu sobrinho quer saber se já avançamos ou ainda estamos na rabeira do quadro de medalhas. E as explicações não convencem. Quando Phelps ganhou a oitava medalha de ouro, o narrador esportivo Galvão Bueno quase teve um orgasmo. Foi lindo de ver, digo, ouvir. Já estamos assim, torcendo pros outros. Que beleza.
Talvez nosso pífio desempenho se justifique pela falta de políticas públicas que incentivem o esporte de base. Talvez. Temos um Ministro que se preocupa em salvar clubes de futebol falidos. Dá mais ibope ajudar o Flamengo do que criar mecanismos que possibilitem crianças a prática saudável do esporte outro, além dos tradicionais – futebol e vôlei.
Falta muito. Um oceano separa o país de ser um celeiro de desportistas. Não raro os pais depositam nos filhos a possibilidade de melhorar de vida através de uma chance numa grande equipe ou ainda torcer para que um empresário o leve para atuar no exterior. Todos querem ser um Ronaldinho e quanto a isso não condeno quem faz essa opção. Não oferecemos outro cardápio para os clientes.
Em 2007 o Brasil sediou o Pan-Americano. Saímos deslumbrados. Medalhas de todos os quilates e quantidades. Enfim, um país de “Primeiro Mundo”. Pouco ou quase nada se noticiou sobre o rombo nas contas públicas, ocasionadas pelo planejamento familiar da competição. A iniciativa privada agradeceu e nós pagamos por algo que não tivemos direito. Não recordo de nenhum editorial bilesco apontando o senhor Carlos Nuzman como irresponsável ou, ainda, questionando a lisura dos contratos comerciais referentes à competição.
A nossa caminhada – redundância quando o texto é sobre esporte – é longa, maior que várias maratonas juntas. Falta vontade e planejamento para mudanças dessa ordem. Assim como saneamento básico fica escondido e não rende votos, o desporto trilha o mesmo caminho. O senhor Orlando Silva limita-se a concordar com tudo que lhe é apresentado e garanta manchetes glamorosas. Os críticos mais ácidos afirmam que o Ministro é um apêndice do presidente da CBF Ricardo Teixeira e do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzmann, duas figuras de currículos duvidosos, bem próximos do Código Penal.
Mais um dia de competições chega ao fim. Daqui a pouco meu sobrinho volta da escola e repetirá a pergunta de sempre. O desalento toma conta. Quem sabe torcer pelo Zimbábue seja uma boa. Ou vamos continuar a juntos chorar toda vez que um atleta fica fora de uma final e reclama da falta de apoio e/ou patrocínio? Ficam velando o choro e deixam de dar nome aos bois: falta de incentivos de empresas que só visam o lucro e sua conseqüente remessa para o exterior – onde o esporte é tratado como algo vital nas vidas das pessoas de todas as idades -, aliado a falta de perspectivas governamentais – de todas as esferas. Calma Vinicius, pois ainda temos os esportes “populares”- a vela e o hipismo - para melhorar nossa situação. Nada é impossível. Acredite.
Escrito por João Anschau às 16h07
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Inviável, derivação de...
Por mais que o catador de lixo mostre por deveras sua importância, ainda é possível encontrar pessoas que torcem o nariz e acham aquilo tudo um absurdo. Fica-se com a imagem do “sub-cidadão” e apaga-se o seu real significado, numa sociedade preocupada em produzir entulhos de todo calibre e não no destino que é dado a ele, ou com quem o recolhe.
A forma como se espalha algo depende muito do seu objetivo final. Se for para convencer que o ruim não é tão mau assim, atiradores de todas as dimensões são escalados. Os torpedos surgem a rodo e tentam fazer estragos de bitolas diversas. A tentativa de convencimento se dá pela repetição exaustiva, que mira sempre no mesmo alvo.
Manchete do jornal Zero Hora de 18 de julho, sexta-feira, mostra claramente o que não é prioridade para os (de)formadores e multiplicadores de opinião: “Estado calcula gasto de mais de R$ 1,5 bilhão com novo piso de professores”. O dito veículo impresso defende a tese que educação é gasto e não investimento, e encara o mesmo como desnecessário. Trata a educação como mercadoria.
A assessoria de imprensa do governo estadual, digo Zero Hora, repercutiu as palavras da secretária estadual de Educação, Mariza Abreu, que acha o piso nacional inviável, podendo causar um “grande rombo” nas contas do apertume em que está se transformando os investimentos públicos em áreas vitais – saúde, segurança...- do governo gaúcho. O brique é podar e não “gastar” em bobagens como salário para servidores tão “insignificantes” como os professores.
No Brasil, salvo raras exceções, professor é tratado como indigente. Recebe mal, trabalha em condições, muitas vezes desumanas, e ainda tem sobre si a responsabilidade de contribuir na formação de seres humanos. Vamos combinar que educação não chega a ser prioridade na agenda dos gestores públicos. Isso não dá voto, disse-me certa vez um político. Não ficamos embaraçados em ler ou ouvir sobre, pois notícias como estas já fazem parte de nossa rotina, parecendo ser tão natural quanto o sol no verão. Inviável, dona Mariza, é continuar a tratar educação como penduricalho e não como uma necessidade de todo cidadão. Acho mais complexo justificar para uma criança o porquê da merenda que ela está comendo vir estragada.
Mas esse não é um problema surgido agora. Não. Fique tranqüila quanto a isso secretária Mariza Abreu. A senhora está apenas reproduzindo a sanha dos chamados neoliberais. “Pensadores” que acreditam ser desnecessário “gastar” em educação. Preferem “incentivar” o desenvolvimento, a bem da verdade, com o dinheirão nosso de cada dia. O que conta na contabilidade destes são os grandes empreendimentos, nada de pequenos detalhes. Somar para quê? Individualizar com grandes canhões de iluminação e mostrar cifrões e uma dezena de números para estampar uma capa colorida num jornalão qualquer é muito mais impactante. Educação, se quiser, pague por ela, ora bolas.
Inviável é jogar nas costas dos que assumiram compromissos morais e não dar a estes condições mínimas de trabalho. Marginalizar quem está perto da lona é tão cruel quanto dizer a uma criança que não existe vaga na escola e aquele seu direito constitucional foi às favas.
Inviável é tomar de assalto um grupo de professores e dizer que eles serão os responsáveis pela nova derrocada do ajuste fiscal proposto made in Banco Mundial. Covardia seria o mínimo para justificar qualquer tentativa de desviar o foco sobre a lambança administrativa que dona Mariza Abreu e ocupantes de postos similares no governo estadual se acostumaram a fazer nos últimos anos. Pensar cansa? Quem sabe a senhora leia Mario Osório Marques e verá que educação é libertação e não apenas pró-forma numa sociedade que acredita no ato simbólico da entrega de um certificado como este sendo a redenção por tudo que não foi oferecido ao cliente/aluno.
Escrito por João Anschau às 21h26
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