Cutuquei
Conversava outro dia com um amigo a respeito do uso do nosso tempo. Confessei, e isso é público, que o meu é mal administrado. Minha organização pessoal se confunde com a pessoal, gerando um tsunami diário. Há mais ou menos 30 dias, comecei a usar a velha e boa agenda de papel. Nada de anotar na tela do computador. Conservadorismo, nesse caso, é saudável.
O espaço onde publico minhas impressões do cotidiano ficou desatualizado durante um período igual a uma gestação humana. Sempre arranjava disponibilidade para outras necessidades, provavelmente, menos importantes. Mas para dedicar alguns 40 minutos a escrita, necas.
Tenho dois perfis no facebook. Não me orgulho disso. Uso-os para conversar com alguns contatos que abandonaram o messenger e o hábito de mandar mensagens pelo correio eletrônico e migraram lépidos e faceiros para a nova rede social. E aí é possível notar que não sou o único a administrar incorretamente o meu tempo.
De segunda a sexta é possível testemunhar situações que me fazem duvidar que pessoas arranjem tempo para justificar idéias ou teorias carentes de um mínimo de racionalidade. Os argumentos são repetidos a exaustão. Mesmo sem sustentação insistem, repetem, replicam e não desistem. Deixa de ser um debate e vira uma birra infantil. Falta vontade, ou hábito, de refletir. Sobra entusiasmo para parecer ser “inteligente” e estar “por dentro” do assunto da moda, independente de qual seja. Mistura-se opinião com agressão.
Tem tanta coisa bacana que poderia ser socializada ou até mesmo discutida. Desperdiça-se tempo, energia e não se constrói nada. Muitos ficam na espreita para ver se alguém vai responder a provocação. Depois da primeira é um Deus nos acuda. Xingamentos e ameaças fazem parte do arsenal. Sim, parece uma guerra fratricida.
Ouvi certa vez que o conflito só acontece quando envolve os “ignorantes” – leia-se e entenda-se, pouco letrado. Atualmente o letramento é uma possibilidade quase universal, e hoje os que merecem o rótulo de brigões – pensei em escrever vândalos - são aqueles que têm a oportunidade que até então era privilégio de uma pequena casta. Fica provado que interesses, quando ameaçados, fazem com que o predador mude a estratégia e ataque sem rodeios. Mesmo sabedor que pode errar o bote e virar caça.
Escrito por às 15h17 [ ] [link]





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